Amazônia: um ataque feroz, por João Francisco Rogowiski

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Como diz antigo adágio popular, “desgraça pouca é bobagem”!

Quando a gente pensa que o Brasil chegou ao fundo do poço, se descobre que ainda há mais um tanto para descer, até parece um buraco sem fundo, como aqueles misteriosos buracos negros no espaço sideral com tamanha força gravitacional, que deles nem a luz escapa.

Esta semana ainda escrevi um drops intitulado Soldado Faminto no qual relatei que a imprensa tem noticiado e as autoridades militares confirmado, que milhares de soldados serão dispensados este ano antes do término do tempo de serviço militar obrigatório, por falta de comida para a tropa.

O caos nas finanças públicas é total, algo sem precedentes, daí, para “ajudar” acontece o incidente na floresta Amazônica.

Emmanuel Macron (França) acusa os brasileiros de estarem destruindo a “casa dele”. Juntamente com Angela Merkel (Alemanha) e Justin Trudeau primeiro-ministro do Canadá, querem discutir o futuro da Amazônia no G7.

Noruega e Alemanha suspenderam contribuições para o Fundo Amazônia, o boicote à carne brasileira foi proposto pela Finlândia, França e Irlanda se levantam contra o acordo Mercosul-União Europeia.

Esse enrosco todo é a legítima crônica da morte anunciada, pelas declarações de Angela Merkel relacionadas à questão ambiental brasileira.

Precisamente por terem sido desferidas durante o encontro do G20, já dava para perceber que não se tratava de meras picuinhas ambientalistas, e sim a ponta do iceberg da cobiça internacional sobre as riquezas do subsolo amazônico.

As autoridades brasileiras presentes ao encontro ao invés do esdrúxulo bate-boca em que se envolveram, deveriam ter assumido uma postura proativa séria, cortez, de esclarecimento à comunidade internacional, com dados, estatísticas e etc., do que tem sido feito para cuidar da Amazônia, e assim atrair a simpatia dos demais países até então neutros sobre a questão.

Após esse alvoroço no encontro do G20 o governo já deveria ter adotado algumas medidas preventivas e cautelares especialmente em relação à catástrofes na região amazônica, como os incêndios, criminosos ou não.

Em Portugal recentemente instalou-se nas cidades costeiras um sistema de alarme contra tsunami. Como se sabe, no ano de 1755 um tsunami destruiu quase que totalmente a cidade de Lisboa, atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve e Setúbal.

Países com alguma propensão a desastres naturais têm se preocupado com a prevenção.

É inadmissível que o comando militar da amazônia não tenha uma brigada contra incêndio florestal.

Soldados sem comida, jipes sem gasolina, armas sem munição, se sobrevier uma resolução da ONU determinando a ocupação da Amazônia, o que poderemos fazer?

Quem não tem músculo, tem que ter papo (muita conversa). A nossa única saída é pela diplomacia, porém, até agora não se viu nenhuma reação concreta, efetiva, do Itamaraty, para reverter esta grave crise nas relações internacionais.

Os EUA ofereceram ajuda de combate ao fogo, aviões tanques, e, inclusive, proteção militar ao território nacional, obviamente por saberem da situação calamitosa de nossas Forças Armadas, e, quiçá, por saberem ainda de coisas que nós e nosso arremedo de Serviço de Inteligência, não sabemos. Mas até agora, impera a indecisão de nossas autoridades sobre essa oferta.

Se não houver uma reação rápida e bem articulada da nossa diplomacia, sofreremos duras sanções e irreparáveis perdas econômicas.

Precisamos mostrar ao mundo de forma cabal que estamos preocupados com a Amazônia e que somos capaz de defender a floresta.

O remanejamento do dinheiro previsto para o fundo eleitoral, cerca de R$ 3,7 bilhões, para custear o combate ao incêndio na Amazônia, proposto pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, a meu ver foi, até agora, a única coisa sensata que emergiu desta catástrofe.

Enquanto uns batem cabeça, ao menos alguém teve uma boa ideia.

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