Tempos de civilidade … bons tempos +++ tempos passados …

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Tarso Genro, governador do Estado, PT, chora abraçado na mãe do saudoso Chicão, deputado do PP, recentemente falecido num acidente de carro. Exemplo de civilidade, humanismo e bondade nos corações.

 

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No momento de ódio que vivemos hoje, vale a pena relembrar um momento de dor e exemplo de civilidade e fidalguia.

No velório do nosso saudoso Chicão, PP, o governador do Estado, Tarso Genro, PT, vem a Santiago, solidariza-se com a família enlutada. Na foto, ele abraça a mãe de Chicão.

Eu sei que esse ódio hoje disseminado no país, se não for contido, nos levará a um confronto fratricida. Irmãos e filhos de uma mesma Pátria, acabarão se matando pela ausência de maturidade, pela ignorância e pela estupidez.

A ignorância grassa ao quererem, pela força, impedir uma pessoa de falar. Mais que isso, as agressões contra pessoas, relhadas, pedradas … isso é civilidade ou barbárie?

É evidente a truculência. Lula está atuando rigorosamente dentro das leis e do Estado democrático de Direito de uma democracia constitucional. Quem não é Lula, não se tornará petista, só por ouvi-lo. Isso é dar a ele uma condição messiânica que ele não tem.

O pessoal do agronegócio que patrocinou esses momentos obscuros de nossa história, perdeu completamente o bom senso. Passaram a agir como os integrantes do MST, a quem eles tanto combatiam. Segundo, dão um atestado de estupidez e insipiência, pois o direito de ir e vir, em território nacional, é constitucional. Terceiro, ao invés de convencerem a sociedade com argumentos, com a lógica dialética, com teses, querem simplesmente impor sua vontade pela força. Será que são tão estúpidos a ponto de pensarem que convencem à força?

É visível que o ódio está disseminado pelo país.

A omissão das autoridades também é visível. Os filmes rolam pelas redes sociais. O Estado está anômico, tudo indica que partiremos para a violência reativa.

A senadora Ana Amélia e o Deputado Heinze, deram um triste exemplo ao país em suas manifestações incitando a violência e dando aval a atos agressivos. Onde querem chegar? Daqui uns dias, estaremos todos marchando em torno de caixões. O banho de sangue é visível e é lamentável a omissão de quem percebe isso, e cala-se. Uns por medo, outros porque são de má índole mesmo.

O juiz Sérgio Moro e os vislumbrados procuradores da lava-jata parece que descobriram a roda. Política nobre e limpa não existe. Existem raríssimas exceções, mas sempre houve roubo em política, parece que só agora descobriram. Existem coisas que a gente sabe, mas não pode falar. Existe um mundo real e um mundo paralelo. Todos os candidatos trabalham com caixa 2, com duas contabilidades, uma, oficial, onde todos fingem que cumprem as regras e, outra, onde vale tudo. Isso é assim em qualquer cidade do Brasil.

De um lado, o poder judiciário demonizou Lula. De outro, santificaram o outro espectro ideológico do país. A justiça vale segundo as ideologias de cada um.

Lula também errou ao dizer que podem reagir. Eu também acho que se pode reagir, mas não se fala. Em Passo Fundo, bastaria jogar coquetéis molotov nas máquinas que trancavam as estradas, era o direito a violência reativa. ainda bem que nada foi posto em prática. (eu sempre friso que não escrevo sobre tudo o que sei).

Eu sei de propriedades onde já estão armados com fuzis privativos das forças militares. No fundo, todos estão armados. É só um destrambelhado perder o controle e dar o primeiro tiro, que estará armado o banho sangue e o país jogado numa guerra civil, pois haverão matanças mútuas e sem sentido.

Só quem acredita em coelhinho da Páscoa é que ignora que o sul está tão armado quanto os traficantes do Rio.

O problema todo é que o país está à deriva. Todos perderem o bom senso, o humanismo e a racionalidade. Até os evangélicos estão ensandecidos, defendendo pena de morte, apoiando candidato que apóia a tortura e o fuzilamento dos pobres em favelas.

Nunca se viu tanto preconceito em escala crescente. Há satanização até dos negros, enquanto os ricos compram sêmen de laboratório dos EUA para terem filhos brancos com olhos azuis. O que é isso senão a emergência evidente do nazismo, com a defesa da supremacia da raça branca?

A questão é muito mais séria do que se pensa. Poucos cientistas sociais estão neutros ou tendo a ponderação arbitral de um magistrado MAGISTRADO, não juiz fazendo política partidária e disseminando ódio.

Sinceramente, sou pessimista. Não vejo que a violência seja o melhor canal de expressão de idéias políticas. E nem vejo que se solucionem conflitos com base na força. O exemplo mais visível está no Rio de Janeiro. Há quanto tempo as FFAA estão por lá e quem não viu – nas TVs e redes sociais – o banho de sangue dos últimos quatro dias? Com mortos dos dois lados, famílias chorando, todo o Estado praticamente enlutado.

O ideal, já que eu tenho tantos amigos do lado de Bolsonaro, é fazer a política do convencimento do eleitor com o debate de idéias e a produção de argumentos. Bolsonaro já provou que tem poder de convencimento, então que deixemos ele livremente expor suas idéias. Eu não concordo as idéias dele, mas defendo o direito dele defender o que ele pensa.

Se a sociedade, no livre convencimento, entender que ele é o melhor para o país, que seja eleito e seja nosso Presidente. Agora, se onde ele for passar o MST começar a bloquear estradas, ameaçar pessoas, jogar pedras nos carros de seu pessoal, onde vamos parar? Eu mesmo respondo: os dois lados carregando caixões.

O mesmo raciocínio vale para Lula, para o ponderadíssimo Álvaro Dias, para Alkimin, para Marina Silva … não adianta esta briga irracional. O eleitor vai decidir quem ele entender que melhor lhe representa. E pronto.

Por fim, compreendamos que a política é a besta e que ali não existem anjos. Então, o melhor a fazer é uma reflexão no sentido do amadurecimento. Se Lula registrar sua candidatura, é dentro da legalidade. Se não puder, também será dento da legalidade e o PT terá outro nome. Adianta de alguma coisa esta exposição vexaminosa do Rio Grande do Sul? As imagens correm o mundo na velocidade da telemática. Gaúcho dando em mulher de relho, gaúcho jogando pedras em ônibus de quem não pensa como ele, gaúcho bloqueando rodovias e impedindo o direito de passagem das pessoas … e pior que isso, é a omissão governamental em segurar a ordem e respeito mútuos. O Estado coercitivo está tão ausente quanto o Estado-juiz.

Mesmo que esteja tudo precário, como de fato está, não será com violência que encontraremos uma saída.

Um pacto nacional é urgente, segurando os ânimos, deixando fluir os debates, deixando os eleitores livres para escolherem.

É uma vergonha o que rola na imprensa mundial sobre nosso Estado, inclusive com pesadas críticas a ausência de segurança e a omissão das autoridades, que tem o dever de munir-se pelo setor de inteligência, prever as zonas de conflitos, realocar as forças repressivas proporcionais aos pontos de iminentes conflitos.

Bom senso, ponderação, equilíbrio são as bases dos pilares de sustentação de uma sociedade democrática, assentada no espírito da ética cristã, na fraternidade entre os membros de uma mesma pátria, aliás, filhos do mesmo solo.

O contrário, a barbárie.

(ESCRITO DIRETO E SEM REVISÃO)

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