Res-pública Federativa Liberal dos Estados Unidos do Brazil

O grande debate, pós-janeiro de 2019, é contextualizar nossas forças políticas, nossos points ideológicos locais, face a emergências do novo governo.

Pessoalmente, falando francamente, vejo como remotas as chances de vitória de Haddad, embora reconheça que ele seria o melhor para o continuísmo da URI, da prefeitura, do Hospital e do próprio exército.

A eventual vitória de Bolsonaro vai implicar numa drástica redefinição com implicações diretas em Santiago e região. Explico-me: a visão de Paulo Guedes para a economia tem a ver com os cortes drásticos que afetarão o crédito educativo. Essa mamata e essa visão paternalista do PT, vai para o saco. O IFF vai ser atingido em cheio pelos cortes e a URI terá que se arrastar com a aposta no realmente privado. Paulo Guedes tem deixado claro que o ensino superior, privado e particular, precisar ser auto-suficiente e que a prioridade do seu governo é o investimento no ensino infantil e séries iniciais do fundamental. È claro que ele está dizendo que o crédito educativo superior e essa visão petista de praticamente sustentar quem cursa universidade vai acabar. O corte vai pegar em cheio a educação superior e a URI será a primeira vítima.

Os programas assistenciais na área de habitação, atingirão em cheio os interesses da gestão pública municipal. Essa mamata petista de dar casa para os pobres, muito empregada pelo PP, será fuzilada pela redefinição de Paulo Guedes, que – se deixaram – privatiza a própria CEF e o BB/SA.

Sinceramente, não sei como será a saúde pública e os reflexos no plano local. Mas a pauta liberal é uma redefinição radical. Previdência social, só para quem contribui, será como era nos anos 70/80 anteriores da constituição de 1988. Quem contribui com o recolhimento do INSS, usufrui. Quem não contribui, que se vire. Acredito que essa política de médicos de ESFs e dentistas por conta do Estado, com o tempo vai acabar, assim como as aposentadorias precoces. A coabitação dos regimes especiais de previdências serão postos em xeque e vem aí a tentativa de isonomia (leia-se limitação do setor público com o privado), embora eu duvide que o governo consiga passar por cima das corporações organizadas do setor público. Mas que haverá choque, haverá.

Essa de chegar aos 65 anos e ter um benefício de um salário mínimo, será reduzida a 500 reais, é só ler a entrevista do liberal Kim Kataguiri ou assistir seus vídeos no Youtube. O Paulo Guedes pensa exatamente como Kim.

Aliás, a redefinição previdenciária e esses benefícios todos que o PT/PSDB criaram serão aniquilados no primeiro tiro. Farmácia popular, remédio para pressão alta, que se exploda quem precisa. A pauta é a privatização radical de amplos setores da saúde, da previdência e da assistência social. Esse assistencialismo é coisa da comunista. Xô Satanás.

Os pastores evangélicos acostumados a mamar no Estado vão ficar chocados com a mão de Paulo Guedes, que será aclamado pela mídia, louvado no exterior e forte candidato ao Nobel de economia. Todos ficarão que nem moscas tontas, sem entender o ufanismo e o elogio midiático e a contradição do desgaste pessoal e seus interesses imediatos. A imunidade tributária sobre templos, será só sobre templos e essa elasticidade que atinge até os imóveis alugados pelas igrejas, vai acabar, a grita e a chia serão enormes.

È claro, o estatuto do desarmamento será revisto. As pessoas de bem (alguém sabe o que é isso?) poderão portar armas. O pessoal do campo, essas pessoas que produzem mesmo, ostentarão um fuzil e haja até quem defenda que as fazendas tenham um tanque de guerra. Vem aí as milícias privadas e a coabitação com o setor público de segurança. Aliás, a segurança privada é um segmento que entrará em alta … é a gênese miliciana.

A segurança pública será transferida do Estado para o cidadão.

Mas o campo terá muita satisfação, o setor primário, esse pessoal que realmente tem peso, continuará produzindo em paz e ganhando. Quem será afetado são esses pequenos que vivem com programas comunistas para financiamento de tratores e empréstimos via Banco do Brasil para comprarem gado e investirem em lavouras. O pessoal do Bolsonaro não é bobo, sabem bem que estes empréstimos são quase todos frios e que o dinheiro dos financiamentos é usado para outros fins.

Por enquanto estão todos escondendo o jogo, mas milhões de votos não vão deixar um presidente refém de cláusulas pétreas. Só Bonner e a rede globo para fingirem normalidade. Constituição existe para ser rasgada e o autogolpe do general Mourão é uma realidade.

Falando em Mourão, ele vai ficar com um esparadrapo na boca até a posse, depois voltará para afirmar o que o Mercado quer ouvir, décimo terceiro é uma aberração e um ônus para quem produz, adicional de férias, da mesma forma. E o novo Brasil liberal trocará a CTPS azul dos comunas pela CT verde e amarela e o trabalhador poderá negociar livremente com os patrões, sem essa história de carga social.

E as forças armadas?

Ficarão como a nobreza da Inglaterra. È claro que as pensões de filhas de militares serão alteradas e aposentadoria dos militares será totalmente modificada, para dar exemplo aos civis. Nos EEUU ninguém se aposenta pelo teto. Ora, aqui também precisa ser como no Tio Sam.

È evidente que as FFAA e o duodécimo do judiciário serão as zonas mais sensíveis para Paulo Guedes, mas ele próprio deu o recado na entrevista a globo-news ao abordar a necessidade de igualar os regimes previdenciários. Isso parece um sonho, mas que ele pretende chegar nisso, pretende.

Com estas reformas profundas, claramente anunciadas, o Brasil realmente buscará uma redefinição. O país será mais enxuto, estatais serão privatizadas em massa. Agora, viveremos o liberalismo econômico, Estado quanto menor, melhor. Menos corrupção, investimentos privados, quanto mais, melhor.

As mudanças atingirão em cheio o ensino superior, UNIPAMPA e IFETs, em xeque. Programas habitacionais, Minha Casa, Minha Vida, programas assistenciais, em xeque. Saúde privada quanto mais melhor, menos mais médicos, os remédios precisam ser consumidos pelo bolso do contribuinte e não pela mão do Estado.

A indústria metal-mecânica se tornará mais competitiva, a indústria de armas, entra em alta e o povo pobre vai se jogar na iniciativa privada, multiplicar-se-ão os vendedores de pastéis, as moças vendendo docinhos, os treilers de xis e batata frita, o consumo de cervejas aumentará, o mercado de carnes será competitivo e o homem do campo – finalmente – entenderá o que é o fim do comunismo e esse apadrinhamento do Estado, financiando até sementes e tratores. Aliás, aposentadoria rural com base em declarações de Sindicatos e com depoimento de vizinhos ´lá de fora`, está com os dias contados.

Vem aí a apologia ao EAD, e os professores logo serão uma categoria em extinção. Faz sentido, liberalismo econômico não fecha com esse monte de escolas sustentadas pelo Estado.

Anistia aos créditos educativos, como Beto Albuquerque conseguiu com os governos comunistas do PT, adeus. Tem conta com a CEF, tem que pagar, nem que seja o passivo contabilizado pelos novos donos, pois a CEF será privatizada. Dívidas prescritas em 5 anos, serão elevadas para 15 anos. No novo Brasil liberal, sem essa de calote em 5 anos.

Eis que surgirá um novo Brasil, o hino nacional e os símbolos nacionais não serão mudados. A farda não mudará a cor. Haverá liberdade para a internet e nada de controle social da mídia.

O mercado viverá de euforias. O dólar cairá e as bolsas continuarão subindo. Todos vibrarão. A Petrobrás privatizada, atuará em toda a cadeia produtiva, da extração, passando pelo refino até a distribuição para os postos.

Em suma, com Bolsonaro, muita coisa vai mudar. Com Haddad, a tendência é continuar com o Estado de bem estar social e esse assistencialismo comuno/petista/socialista.

Eu tenho uma séria desconfiança que Júlio Ruivo não embarcou na onda bolsonarista. Ele saca das coisas e percebeu a jogada. Ele sabe que a volta do PT poderá ser o fortalecimento do PP santiaguense e a manutenção das políticas públicas petistas. Ele sabe que a onda bolsonarista, poderá significar o fim do assistencialismo. Bolsonaro não é contra o bolsa-família, só vai reduzir tudo pela metade, num primeiro momento. E dará aumento para os que sobrarem. Mas que aumento? Ele não fala na proporção do corte e a relação deste com eventuais reajustes.

Os nordestinos pensam que nem os pepistas de Santiago. Só louco para entender esse anacronismo. Heinze é uma exceção, não é liberal, mas sequer entende bem onde Paulo Guedes quer chegar.

O PP do Capão do Cipó está sintonizado com o nordeste, melhor que qualquer um aqui na região.

Eu desconfio seriamente que Ruivo votou no Haddad. Mas como o voto é segredo, ficará a dúvida para sempre. Heinze, casado com Bolsonaro, fez mais de 18 mil votos. O que explica as pessoas de um mesmo município votarem no Heinze para o senado e não votarem no Ruivo, que fez parcos 12.376 votos dentro da Santiago, que presidiu e é presidida pelos pepistas?

Ruivo, em entrevista na Rádio Santiago, disse que a campanha presidencial de Bolsonaro o prejudicou internamente. È um caso raro. No restante do país, os candidatos todos – encostados em Bolsonaro, foram consagrados pelas urnas. Ora, para mim, ele não estava encostado. É simples.

De qualquer forma, mudanças sérias e profundas vem aí. Só não muda muito se Haddad vencer e eu penso que Haddad não ganha. Então vamos para República Federativa Liberal do Brasil.

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A derrota de Ruivo foi consequência do desastroso governo de Tiago Lacerda

Uma eleição singular, mas não surpreendente. Mesmo as últimas pesquisas que apontavam a vitória de Bolsonaro, ainda no primeiro turno. Raramente alguém que votou nele mudará o voto.

Bolsonaro encarnou o protesto e a rebelião da sociedade brasileira. Quem votou em si, exceto a direita consciente, não sabe o que fez, especialmente, a massa populacional das classes D e E do país. O desencanto virá com o tempo e desgaste das bandeiras liberais só fará eco quanto atingir o próprio eleitorado bolsonarista. Sugestão do blog é que todos assistam a entrevista de Paulo Guedes a Globonews.

 

As mudanças propostas serão profundas, especialmente na economia e no tamanho do Estado que o economista propõe. E, será tudo de imediato, sob o impacto das urnas.

Ademais, a vitória foi legítima, a esquerda está massacrada. Por outro lado, ficou claro que o sul, sudeste, centro-oeste e até o norte, estão apartados do impacto ideológico do PT. O nordeste levou Haddad ao segundo turno, o nordeste virou um reduto de esquerda. Quem diria; na época da ditadura militar, dizíamos que eram os grotões do atraso e por isso votavam na ARENA e no PDS. E agora, são os grotões da esquerda. È fácil compreender os efeitos das políticas sociais do PT no povo nordestino. Paciência.

A grande massa que protestou, excetuo a direita consciente, não tem a menor idéia do que vem pela frente com o liberalismo econômico. Falou mais alto o empirismo do combate a bandidagem, o culto à família, a rejeição massiva as políticas liberais nos costumes sexuais, a roubalheira dos cofres públicos e a impunidade. È bem fácil contextualizar a vitória de Bolsonaro e Mourão. É tudo bem pontual. Muito pontual. Não adianta fingirmos que estamos espantados.

No Rio Grande do Sul, um segundo turno também previsível. Sartori e Eduardo Leite vão se digladiar. Bolsonaro terá dois palanques, alguém duvida?
Rosseto era a crônica de uma derrota anunciada e – futuramente – pode ser que se extraia lição dessa divisão PT/PDT.

Lastimável a não reeleição do deputado Bianchini. Mas, aconteceu o previsível dentro de Santiago. Eu imaginava mais votos dele fora de Santiago, mas também sai de cabeça erguida e com a consciência do dever cumprido. Foi um grande deputado e muito nos orgulhou.

Já o PP e a fraca votação de Júlio Ruivo, essa – sim – é sintomática. È a maior derrota da história do PP santiaguense. Ruivo é uma excelente pessoa, um candidato altamente preparado, agora pagou preço do desgaste do governo Tiago Lacerda.

O governo Tiago é um desastre completo, tanto que não uniu nem os seus eleitores em torno de Ruivo. Era voz corrente pela cidade que Ruivo despencava. Só os mentores do staff pepista não perceberam isso. Estavam embebidos pelo poder.

Os reflexos se darão na eleição de 2020. È claro, a não reeleição de Bianchini agora estragou um pouco os planos de união das oposições em torno do seu nome, mas que abriu uma crise no PP, não tenham dúvidas.

Nessas alturas o PP está à procura de um nome que una o partido em 2020. A rejeição a Tiago agora virou realidade, antes, eles achavam que era só crítica minha. Não sei o staff vai mesmo de Ruivo … talvez a saída seja mesmo Cláudio Cardoso, um nome muito limpo e que carregou Tiago Lacerda nas costas.

Cláudio une as famílias, tá de bola cheia pela onda evangélica e seria um nome muito ruim de ser combatido pela oposição.

Mas vamos em frente.

Marcelo Brum fez uma excelente votação, por sua estréia, quase 25 mil votos; saiu colado em Ruivo, sem partido, sem máquina, praticamente sozinho.

Boa semana a todos.

A vida segue !!!

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Os boletins de urnas, emitidos no exterior

Os boletins de urnas, emitidos no exterior, começaram a chegar ao Brasil e rodaram o país via whatsapp.

A rigor, não poderia ser assim, isso terá reflexos no voto aqui dentro, Eu mesmo, sequer tinha votado quando recebi o primeiro boletim de urna. Para uma eleição nacional, ficou evidenciado a total vulnerabilidade do sistema e uma falta total de controle dos votos no exterior.

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Pleno do TRE-RS aprova orientação sobre uso de camisetas no dia da eleição; Justiça Eleitoral gaúcha orienta que o uso de camiseta seja permitido

Na sessão plenária de hoje (4), a Corte, por unanimidade, aprovou a orientação que permiteo uso de camisa de candidatos, partidos ou coligação por parte do eleitor, no dia da Eleição. O desembargador Jorge Luís Dall’Agnol lembrou que o art. 39 A, da Lei 9504/97, que trata sobre as vedações no dia das eleições, merece ser lido com interpretação para se adaptar com a realidade atual. Em 2006, o TSE emitiu uma resolução que permitia ao eleitor usar camiseta de candidato, partido ou coligação no momento da votação.

Assim, em relação ao uso de camisas de candidatos, partidos ou coligações no momento da votação, foi definido, para a eleição desse ano, que: “É permitido aos eleitores a manifestação espontânea e silenciosa de sua preferência política por meio de uso de peças de vestuário no dia das eleições, inclusive quando do ingresso em locais de votação pra o exercício do sufrágio, na forma estabelecida no caput de art. 39 A da lei nº 9504/97.”

Essa orientação visa esclarecer dúvidas surgidas pelos eleitores e pelos órgãos de segurança e estabelecer um entendimento padrão. Por esses motivos, pretende-se dar ampla publicidade à presente decisão, dando-se ciência à Procuradoria Regional Eleitoral, aos partidos políticos, à Ordem dos Advogados do Brasil, à imprensa e às autoridades públicas que atuam na fiscalização do pleito.

Texto: Rodolfo Manfredini

Fonte – TRE/RS


 

ATENÇÂO

 

È permitido votar e entrar na sala de votação identificado, com camisetas, coletes e até adesivados.

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Efeito Pesquisa

Os pensadores do Brasil devem refletir muito acerca dos impactos das pesquisas eleitorais nas campanhas.

As pesquisas ditam regras, adequam as construções discursivas, pautam os candidatos,  definem e redefinem rumos.

Eu estagiei no GALUP quando estudava sociologia, onde a gente têm raras disciplinas como Introdução à Pesquisa, Pesquisa I … Estatística, População e Desenvolvimento, Dinâmica Populacional … A rigor, acredito nas Pesquisas, especialmente quando todas têm uma tendência.

Convenhamos, as Pesquisas liquidaram candidaturas, influenciaram na mudança de votos e conduziram o ´pleito.

Isso é cruel para os candidatos em desvantagem, pois mesmo quem tem intenção de votar nesses, acabam mudando a opinião por força do efeito pesquisa.

Nas últimas horas o que vi e ouvi de eleitores de Haddad é assombroso. Dizem que vão de Ciro porque, nas simulações de segundo turno, ele é quem mais têm chances de vencer Bolsonaro. Não sei se é uma onda ou uma mera ondinha. mas captei isso empiricamente.

Creio que deverá prevalecer o bom senso em nosso país e as pesquisas precisam ser disciplinadas, por exemplo, impedindo suas publicações 15 dias antes dos pleitos.

Do contrário, embora os vencedores gostem, todos os demais são ceifados antes do evento em si. antes do próprio voto já sabemos resultados.

O Instituto Paraná é quem mais adianta a possibilidade vitória de Bolsonaro no primeiro turno. Os demais, trabalham com a hipótese de segundo turno.

De qualquer forma, estamos todos sendo pautados pelas pesquisas.

Para não dizer que sou contra Bolsonaro em tudo, concordo com a crítica às urnas eletrônicas. Respeitosamente, não acredito em sua infalibilidade.

Mergulhando no escuro, vamos todas as urnas desse domingo. Meus votos estão todos definidos, exceto uma das vagas ao senado ainda não sei em quem votar.

 

 

 

 

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Manipulação, domínio e controle da opinião pública

 

Um debate que nunca se exaure, seja em Santiago, EEUU,  na China ou na Rússia, é a existência da assim chamada opinião, afinal: existe opinião pública, quem forma a opinião pública e como se forma a opinião pública num processo eleitoral?

Em caso de existência, ou não, da assim chamada opinião pública, supletivamente, cabe refletir – admitindo a hipótese dela existir – como então essa se corporifica?

Sabemos que política é arte de mentir, de pensar uma coisa e de dizer outra. Ademais, os políticos falam várias linguagens embutidas numa só.

Por outro lado, o que mesmo vem a ser opinião pública? Longe de teorizações, de complicadas racionalizações, trata-se de um conceito polêmico. Isso quem diz é Paul A. Palmer, autor do clássico Public Opinion in Political Theory, editado pela Universidade de Harvard. Essa obra de Palmer é uma espécie de clássico na literatura inglesa, francesa e alemã acerca dos estudos de opinião pública.

Historicamente, os gregos e, mais tarde, os romanos, já se debatiam sobre o assunto e empregavam locuções semelhantes, falando em consenso populi. Na idade média, cunhou-se a máxima vox populi vox dei e Maquiavel, na obra DISCURSOS, comparou a voz do povo a voz de Deus.

O conceito de opinião pública como participação popular se liga a revolução francesa de 1789 e foi empregado, pela primeira vez, por Jean Jacques Rosseau.

Alessandre Pope, na Inglaterra, escreveu, ironizando: estranha a voz do povo e não é a voz de Deus.

Pierre Bordieu, na França, ampliou o debate e revelou que ele não é mesmo dócil. Disse e desdisse que opinião pública não existe. Complicado.

Fiz essa pequena introdução para mostrar aos leitores e amigos que o debate sobre opinião pública não é recente e nem consensual.

O que é a opinião pública e como se forma a opinião pública?

Eu diria que são vários os agentes e muitos os elementos que incidem na tal formação. Porém, tudo varia de acordo com as informações que as pessoas recebem, suas fontes de leituras, seus círculos sociais, suas condições econômicas e assim por diante.

É claro que um assunto de repercussão nacional e/ou estadual depende das fontes macro que abastecem nossas redes de informações. Aí entram os grandes jornais, rádios, canais de televisão e – mais recentemente – os blogs estaduais.

Tudo depende de enfoque, de um conjunto de simpatias e/ou antipatias, a forma como é transmitida a notícia, a eventual manipulação ou não informação, entre outros expedientes.

Eu diria que existem vários níveis de formação de opinião. O público evangélico, em torno de 40% da população, recebe um tipo de influência, é educado a ver os fatos políticos de uma determinada forma. Usei o exemplo evangélico apenas a título ilustrativo, posto que o mesmo raciocínio vale para o comportamento das classes sociais, afinal o volume de informações se relaciona com as condições de acesso dessa mesma informação. Os segmentos D e E têm pouco acesso a banda larga, não leem blogs, não leem Veja, Isto É, Folha de São Paulo e raramente leem a ZH digital. Portanto, seus limites de informações são parcos. E mesmo entre o público de maior acesso a informação, nossos segmentos A e B, existe uma pulverização na recepção da informação.

Aqui em nosso estado é quase certo que a opinião das pessoas é formada de forma fragmentada. Nossas rádios são pouco opinativas e pouco formadoras de opinião enquanto participação popular na criação, execução, controle e crítica das idéias políticas. Já nossos jornais, foram mais agressivos na formação da opinião pública local. E os blogs, então, esses – sim – são vivamente opinativos e realmente influem, para pior ou para melhor, mas influem.

Contudo, ouso acreditar que não existe uma opinião pública uníssona, formada, pronta e acabada. Existem segmentos de opinião pública e esses são produtos das influências que recebem, leia-se: dos órgãos de imprensa escritos.

Rádio, em sua totalidade, é baboseira enquanto expressão de uma formação, criação, execução, controle e crítica das ideias políticas. Pessoalmente, não acredito na forma das emissoras enquanto tal finalidade.

Por fim, outros elementos precisam ser jogados no debate. Desde a sintonia de uma rádio até a tiragem de um jornal, pois isso reflete na maior fatia de público atingida pela ideologia que esse veículo reproduz. Pesa também, a credibilidade e a idoneidade do jornalista ou do radialista. É fácil inferir, que um jornal de grande penetração popular, com jornalistas bem formados, realmente forjam algum tipo de opinião.

O fenômeno mais recente da imprensa são as redes sociais. E o sucesso delas, gostem ou não, está associado a emissão de opinião. As fortemente opinativas, são os mais acessadas.

Whatsapp, face e blogs, ninguém gosta da abrir blogs para ler notícias coladas ou releases prontos. Whats passa tudo pasteurizado, é facilmente manipulado, campeão de fake-news, mas – contraditoriamente – o que mais faz sucesso na campanha presidencial.

Concluindo, vamos admitir que existe – sim – opinião pública, mas essa se expressa em vários níveis, não é uníssona, nem é a voz do povo e nem é a voz de Deus.

Ela é formada segmentada, recebe influências distintas e expressa-se por áreas de influências, com suas particularidades. Por fim: tudo depende do poder de fogo dos órgãos de imprensa, sua extensão, sua penetração e sua capacidade de “diálogo” com as massas.

Afinal: opinião pública existe ou não existe?

No próximo pleito que se avizinha, será decisivo o poder de comunicação de massas e aí entrará em pauta as redes sociais. Dados da Fundação Ulysses Guimarães, apresentados em painel local, revelam que 88% do internautas acessam blogs e isso aponta para a importância das redes sociais, blogs, face e whats  …

O facebook, embora comprove a tese de Castells e a sociedade em rede, não forma necessariamente um contingente crítico capaz de gerar um elemento formativo da opinião pública. Assim como o whasapp.

Um blog, embora com matéria mais longa, mais reflexiva, tende a formar opiniões, do ponto de vista da cristalização.

Os contatos pelo app, que fomentam as redes pró-Bolsonaro, são exemplares.

Esse processo eleitoral colocará à prova o tira-teima acerca do poder de fogo de cada segmento formador da opinião pública, embora desde já existe um forte entendimento acerca do sucesso das redes sociais. E a campanha de Alckimn tende a enterrar a tese do peso da televisão.

É claro que as instâncias formadoras não se restringem, nem de longe, ao monopólio da imprensa, posto que existem as instâncias morais invisíveis que tentarão influir no resultado. No campo religioso, os espíritas, católicos, evangélicos e umbandistas tendem a cristalizar suas opiniões junto ao seu público fiel. Não é diferente, com os CTGs, Escolas, Associações de Moradores, Sindicatos, Entidades empresariais, clubes recreativos, posições classistas organizadas do funcionalismo, militares, civis, comerciantes, pecuaristas e plantadores. (Sugiro a leitura do livro:  Conceito de hegemonia em Gramsci; Tudo começou com Maquiavel, de Luciano Gruppi; e Aparelhos ideológicos do Estado, de Althusser + A sociedade em rede, de Castells).

Embora a força interna dessas corporações ou espírito classista de cada um desses segmentos sociais, até no âmbito da família, o certo é que a força da imprensa e o jogo de argumentos aqui colocados, poderão ser decisivos. E quem tiver melhor capacidade de produção textual, linha argumentativa, capacidade de convencimento e maturidade intelectual, aliado a capacidade de provar o que se afirma, tende a atuar de forma mais cristalizada, não pasteurizando a informação, mas cristalizando uma tendência, como a pró-Bolsonaro, como se verifica fortemente às vésperas de uma eleição presidencial.

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Anotações de 3 dias antes da eleição

Eu não consegui escutar o debate dos candidatos locais na URI. Estava em outra ocupação; brincando no whatsapp com minha filhinha. Entretanto, hoje pela manhã, procurei pelas análises na imprensa local e não encontrei uma sequer.

Apenas uma amiga me disse que foi covardia.

– Covardia ? Perguntei.

– Sim, foi covardia botar o Bianchini debater com os outros. Deu de relho e aniquilou todos, deu um show de preparo. Foi ovacionado.

A eleição nacional segue no mesmo ritmo, sem mudanças significativas. A vaidade do PT e PDT, dividindo o eleitorado de esquerda, propicia esta vantagem de Bolsonaro. Pode ser que se unam no segundo turno. PDT, PT, PSOL e setores do PSDB/MDB deverão haddadar, a exemplo do Partido Novo em Minas Gerais.

Brilhante o trabalho da Dra. Ana Paula Nickel dos Santos na condução da 44ª zona eleitoral … Tranquilidade ímpar. Conflitos solucionados com sabedoria. Toda a Justiça eleitoral local está de parabéns pela seriedade e alto profissionalismo.

Fato local que chama muito a atenção. Júlio Ruivo é uma boa pessoa e tem preparo. Mas paga um preço altíssimo pelo péssimo governo exercido por Tiago Lacerda. Os eleitores acabam descontando no Ruivo e aderindo, por exclusão, a Bianchini. Até quem não é Bianchini, para exprimir seu descontentamento com a administração municipal, votará em Bianchini.

Marcelo Brum, candidato a deputado federal local, está com uma campanha muito séria em nível estadual, alimentada por amplos setores evangélicos. Será a surpresa positiva.

Aqui no Estado, certamente, teremos um segundo turno emocionante entre PSDB e PMDB. Resta saber para que lado migrarão os trabalhistas e petistas, excluídos da disputa.

Foi a campanha eleitoral mais calma dos últimos tempos aqui na região fronteira-oeste do Estado. Poucas surpresas.

Ontem, encontrei na rua uma grande amiga, a mulher mais aguerrida que eu conheci dentro do PT local. Dona Terezinha me disse que vai votar em Bolsonaro para presidente.

Estou convencido que as Pesquisas eleitorais ditam os rumos da campanha. Liquidam candidaturas e pautam partidos. Deviam ser proibidas nos últimos 15 dias.

Esta eleição está a demonstrar importantes elementos de ciência política. Primeiro, o peso das redes sociais derrubou a televisão. Segundo, partido político não quer dizer mais nada, é só olhar o tamanho do PSDB e do MDB e a performance dos seus candidatos. Já o PSL, partido que Bolsonaro escolheu na última hora, comprova tudo que sustentamos. Embora o fenômeno não seja novo, já tivemos Collor com o PRN, quase 30 anos atrás.

Fato que surpreende muito é a extensão da queda da candidata Marina Silva, despencou, num cenário inimaginável dois meses atrás. Quanto mais fala, mais perde votos e ainda amplia sua rejeição. Botou em cheque, da mesma forma as pregações do Pastor Caio Fábio que anunciava sua vitória. Pelo visto, os evangélicos não votam em si.

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