Anthony Bourdain, Kate Spade e a doença que se esconde atrás do sorriso

A autora deste artigo, Daphne Merkin, crítica literária e romancista, escreveu, mais recentemente, o livro “This Close to Happy: A Reckoning With Depression”. Publicado no New Yorque Time, em 08/06/2018.

Por melhor que se conheça uma pessoa, o suicídio é sempre um choque, uma violação até, fazendo passar por mentira a nossa convicção de que a existência deve ser valorizada. O fato de o ato de tirar a própria vida poder existir em paralelo à nossa rotina diária – na qual saímos para jantar, fazemos as crianças dormir ou nos preocupamos com a velhice –, sempre me traz à mente um poema de W.H. Auden, “Musée des Beaux Arts”.

Inspirado na própria visão da pintura “Paisagem com queda de Ícaro”, de Bruegel, ele evoca a relatividade da tragédia e o isolamento do desespero: “Sobre o sofrimento, eles nunca se mostraram errados,/Os velhos Mestres: com que precisão entendiam/Sua posição humana: como ela ocupa espaço/Enquanto outra pessoa está comendo ou abrindo uma janela ou simplesmente seguindo seu caminho”.

A depressão grave, que quase sempre o precede, carrega não só o estigma da doença mental – e, portanto, raramente revelada, mesmo aos mais próximos – como também é um mal relativamente “disfarçável”. Quase nunca deixa rastros; manifesta-se sem o benefício do gesso ou das bandagens. Pode ser camuflada com um sorriso e negada mesmo por quem padece com ela.

Por sofrer de depressão aguda desde que era uma garotinha, conheço bem esse paradoxo. Aprendi logo cedo a habilmente me distanciar da minha própria tristeza – afinal, quem quer ficar perto de uma menina infeliz? –, assobiando uma melodia animadinha quando me via entre meus pares e adultos em posições oficiais, como professores e médicos.

Só que nenhum fingimento, por melhor que seja, ameniza o poder da depressão no próprio íntimo. Quando se está sob seu efeito, a impressão que se tem é que o mundo à sua volta se extinguiu e que você está sendo consumido por uma escuridão sem fim.

Eu não conhecia Kate Spade, que se enforcou com uma echarpe vermelha, no próprio quarto, em 5 de junho, aos 55 anos, a não ser através do prisma de seus acessórios insistentemente alegres e extravagantes. Entretanto, tudo em relação a ela e suas criações sugeriam um temperamento alegre, ensolarado, desde a estética de cores fortes à imagem vivaz que projetava.

É difícil relacionar uma mulher de sucesso – pelo menos aparente, com uma carreira promissora, uma família e muito dinheiro – com um desalento tão insinuante e forte a ponto de levá-la a acabar com a vida. Tudo isso ajuda a explicar por que Fern Mallis, ex-diretora do Conselho de Estilistas dos EUA, definiu a morte da amiga como “tão contraditória”. O fato é que aquela garota cheia de vida de Kansas City “sofria de depressão e ansiedade há vários anos”, como revelou Andy, seu marido.

Ainda assim, é de se imaginar se o suicídio seja coisa de caráter; manifestando-se feroz contra todo o instinto de preservação, parece mais uma deformação desse do que expressão de seu estado natural.

Lutando contra o impulso

Eu tenho mais do que um interesse passageiro na questão do suicídio, já que durante ano lutei contra esse impulso. Fui hospitalizada com depressão várias vezes nos últimos 40 anos e tenho duas prateleiras na estante de casa dedicadas a esses dois tópicos – incluindo estudos e histórias sobre o tema escritas por nomes como Jacques Choron e George Howe Colt, além de livros que dissecam o significado da depressão de Robert Burton e Julia Kristeva, entre outros.

Li essas obras em uma tentativa de acabar com o domínio diabólico do suicídio na minha própria imaginação e rastrear a origem o mistério essencial do ato até suas raízes psicológicas – embora também perceba que há um fator da hereditariedade, baseado em estudos feitos com gêmeos idênticos e com adotados, que varia entre 50 e 60 por cento. No meu caso, dada à minha crença de que a forma como fui criada deixou muito a desejar, sempre me confundi com o componente genético, imaginando se ele pode se aplicar a mim – mas como é que alguém pode saber com certeza?

Além de toda essa leitura, escrever um livro de memórias explorando as origens da minha depressão amainou um pouco o fascínio insistente do suicídio. Só um pouco. Ainda tem um lado meu que pende para essa direção radical e violenta quando algo dá errado, que reage como a uma sereia quando ouço falar de alguém que se matou. “Você se safou”, penso.

Às vezes acho que parte daquilo que me segura aqui é o testemunho ao rastro de silêncio que o suicídio deixa. É um ato que não permite volta, não permite que a história seja destrinchada e muito menos oferece uma opção diferente de conclusão. Inspira o choque coletivo, após o qual o vazio – e a ausência – rapidamente é preenchido e cada um volta para a sua vida.

É inevitável que alguns culpem Spade por sua decisão, ou a considerem “egoísta”. Não concordo. É muito difícil para quem não sofre de depressão grave compreender o impacto que ela causa em suas vítimas – como destrói a conexão humana, fazendo-a abrir mão do amor e da necessidade – e a forma como o suicídio pode começar a se fazer imperativo, como uma fuga, e não um ponto final.

Mas eu sinto pelo marido e, acima de tudo, pela filha de treze anos que Spade deixou e que levará esse trauma consigo para sempre – o que me leva a pensar na minha, hoje com 28 anos, que cuida de mim e me ajuda a superar os momentos mais difíceis, mantendo-nos aqui, juntas, para o bem e para o mal, nesta que é a nossa única vida.

Devedor agora poderá ter Carteira de Motorista suspensa

 

Sabemos que você deve ter acompanhado, mas é bom ressaltar que ontem, dia 06/06/2018, o STJ decidiu que, na execução indireta, é possível suspender a CNH do executado, mas a retenção do passaporte, no caso concreto julgado (v. RHC 97876), afigurava-se desproporcional e feria o direito constitucional de ir e vir.

 

De fato, a suspensão da CNH apenas impede que o executado se locomova dirigindo um veículo, mas não inviabiliza que ele solicite transporte por aplicativo de celular, pegue um ônibus/metrô ou, ainda, faça exercícios de bicicleta para chegar a algum local pretendido.

 

A retenção do passaporte já configura medida mais drástica, que deve ser analisada com maior cuidado pelo Poder Judiciário, dado que, de fato, restringe a possibilidade de o executado se locomover para diversos países, limitando o direito constitucional de ir e vir.

 

Toda essa discussão está inserida no dever-poder-geral de efetivação do juiz, previsto nos arts. 139, inciso IV, 297 e 536 do CPC, e na limitação das medidas atípicas de execução indireta, isto é, medidas não previstas expressamente em lei que atuam sobre a vontade do executado, para que satisfaça a obrigação em função de algo que pode piorar (exs.: astreintes, prisão civil etc.) ou até mesmo beneficiar a sua situação jurídica (ex.: redução de honorários advocatícios sucumbenciais – v. CPC, art. 827, §1º).

Rafael Alvim e Felipe Moreira.

 

 

 

Polícia Federal apura atentado contra testemunha de inquérito sigiloso

Site Oficial da Polícia Federal
http://www.pf.gov.br/agencia/noticias/2018/05/pf-apura-atentado-contra-testemunha-de-inquerito-sigiloso

São Borja (RS) – A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (22/5) a Operação Junguzu, para apurar o atentado ocorrido em abril deste ano, no município de Capão do Cipó, contra uma testemunha de um inquérito que tramita em sigilo na Polícia Federal em São Borja.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, no município de Tupaciretã/RS. Participaram da ação 15 policiais federais, oito policiais civis e seis policiais militares.

Foram apreendidos telefones celulares, pequena quantidade de maconha e uma balança digital.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio Grande do Sul
imprensa.rs@dpf.gov.br | www.pf.gov.br
(51) 3235-9000

 

NOTA DO BLOG

Sabem por que o nome da operação é Junguzu?

Jagunço na língua quibundo ou jagun-jagun, “soldado”, do iorubá.

Sacaram?

 

 

STJ vai decidir sobre a guarda dos cachorros e cadelas após a separação de um casal

TJ-SP decidiu que homem tinha direito de visitar yorkshire, mas a ex-companheira recorreu ao STJ. O resultado poderá guiar as instâncias inferiores em processos futuros

Depois da decisão de um juiz da 3ª Vara da Família e Sucessões do Tribunal de Justiça de São Paulo, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determina hoje se a guarda de pets deve ser entendida da mesma forma que a custódia de crianças. Como não há legislação sobre o assunto, cabe aos juízes definirem com quem fica o animal no caso de separação, e se os ex-cônjuges têm direito a visitação.

O caso que originou a ação é de São Paulo: um casal assinou contrato de união estável em 2004 e, enquanto estava junto, adotou a cadelinha Kimi. Com o término da relação, a yorkshire ficou coma tutora, que impediu o ex de vistá-la. O homem, então, recorreu à Defensoria Pública do Estado, que entrou com ação de guarda compartilhada no TJ-SP. O juiz, contudo, extinguiu a ação, entendendo que não cabia à Vara de Família decidir a respeito. A Constituição brasileira considera que os pets são bens, e não membros da família.

Mas a defensora pública Cláudia Aoun Tannuri entrou com recurso, alegando que, hoje em dia, os animais já são considerados verdadeiros integrantes do núcleo familiar. “O Direito não pode ficar alheio a tal situação. Nesse sentido, os animais não podem mais ser classificados como coisas ou objetos, devendo ser detentores, não de direitos da personalidade, mas de direitos que o protejam como espécie”, defendeu.

Em votação unânime, os desembargadores da 7ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP aplicaram, por analogia, o disposto no Código Civil sobre a guarda e visita de crianças e adolescentes:

“Considerando que na disputa por um animal de estimação entre duas pessoas após o término de um casamento e de uma união estável há uma semelhança com o conflito de guarda e visitas de uma criança ou de um adolescente, mostra-se possível a aplicação analógica dos artigos 1.583 a 1.590 do Código Civil, ressaltando-se que a guarda e as visitas devem ser estabelecidas no interesse das partes, não do animal, pois o afeto tutelado é o das pessoas”.

A mulher, então, recorreu ao STJ, que decide hoje sobre o assunto. Embora as outras instâncias não sejam obrigadas a acatar a decisão do órgão, ela vai ajudar a nortear o entendimento dos juízes em processos semelhantes.

FONTE – STJ/CORREIO BRAZILIENSE

Bianchini é um fenômeno…aparece com 2.2% dos votos na Pesquisa do Jornal Gazeta do Sul

O Jornal que ontem publicou a pesquisa de intenção de votos ao governo do ESTADO, publicou, hoje, uma pesquisa com os candidatos a deputados estaduais, mais votados em Santa Cruz do Sul.

A grande surpresa na região da Grande Santa Cruz, foi o Deputado Bianchini aparecer com 2.2% das intenções de votos no município;

Um claro fenômeno e que já da a letra do estouro que será a votação de Bianchini no Estado.

Se considerarmos que Heinze, como candidato ao governo do Estado, obteve 2.8%, na mesma Pesquisa, ele está – tecnicamente – empatado com BIANCHINI, que se projeta como um grande fenômeno estadual, dado ao seu trabalho sério, dedicado, sua honestidade e a lisura a transparência do seu mandato.

Bianchini se projeta para ser a grande surpresa deste pleito. Anotem o que eu digo.

Toxoplasmose. Este blog foi o primeiro veículo de comunicação do Estado a comunicar o surto

Elizabeth Souque De onde veio a notícia? Quem confirmou?
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Ana Claudia Bernarda da Silva
Ana Claudia Bernarda da Silva Patricia Rubim….fica atenta
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Marcelo Pinto Ribeiro
Marcelo Pinto Ribeiro Ontem dia 20/04, foi o “assunto” de todas as mídias da RBS, após a coletiva do Prefeito Pozzobom. Bota fonte nisto! 📺📡🏆
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Júlio Prates
Júlio Prates Marcelo Pinto Ribeiro quando eu divulguei esta notícia, nada ainda tinha sido vazado. Depois, foi que tudo se tornou público.
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Marcelo Pinto Ribeiro
Marcelo Pinto Ribeiro Júlio Prates , exatamente isto, seu post é do dia 17 e a RBS repercutiu três dias de atraso.