Possibilidade de segunda infecção pelo coronavírus é investigada por cientistas

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Folha de São Paulo

Até agora o que se sabe sobre o fato de uma pessoa se reinfectar pelo coronavírus? Esses casos já recuperados continuam sendo vetores do vírus?

Especialistas de saúde do mundo inteiro trabalham para desvendar o comportamento do Sars-Cov-2, causador da Covid-19. Algumas das questões que intrigam os pesquisadores são se há possibilidade de uma pessoa ser infectada pela segunda vez pelo novo coronavírus e quanto tempo ele permanece no organismo.

Na China, testes realizados em quatro profissionais de saúde deram positivo para a Covid-19 dias após eles terem recebido alta médica, como mostrou uma reportagem da Folha. O estudo foi publicado na revista científica americana Jama (Journal of the American Medical Association). Para o professor titular do departamento de genética da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Amílcar Tanuri, esse seria um caso de falso positivo.

“O que está mostrando aí é que os pacientes se recuperaram clinicamente, mas tinham tinha vírus na secreção. Isso é uma preocupação para o controle da doença, porque essas pessoas podem continuar infecciosas”, disse.

Outro caso noticiado ocorreu no Japão, onde uma mulher que recebeu tratamento para o novo coronavírus também voltou a ter a doença.

A Sociedade Brasileira de Infectologia informa que ainda não há uma resposta certa para a questão, apesar dos dois casos. A entidade afirma que um estudo chinês com macacos rhesus não demonstrou reinfecção.

A presidente da Sociedade de Infectologia do estado do Rio de Janeiro, Tânia Vergara, afirma que não há ainda uma publicação de peso que confirme a reinfecção pelo vírus.

“Não sabemos se reinfecção ou recrudescimento. Na primeira, a pessoa a pessoa se infecta duas vezes pelo mesmo microorganismo. Na segunda ela melhora e depois volta a piorar, mas o microorganismo é o mesmo da infecção inicial”, diz.

O médico infectologista do Hospital Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Leonardo Weissmann acrescenta que, quando há regressão dos sintomas, a pessoa está curada e volta à rotina normal, mas que ainda é cedo para falar sobre imunidade, pois há muita dúvida sobre o comportamento
do coronavírus no organismo.

A informação mais recente sobre isso é de um estudo de pesquisadores americanos e europeus que conseguiram identificar com precisão a presença de anticorpos contra o novo vírus no sangue humano ao comparar amostras coletadas antes da pandemia com a de pessoas que tiveram a Covid-19.

O estudo foi publicado no site medRxiv (www.medrxiv.org) em formato de pré-print, ou seja, sem revisão de outros pesquisadores. Segundo o médico que conduziu o estudo, Florian Krammer, da Escola de Medicina Icahn, no Hospital Mount Sinai (Nova York), a importância é mostrar quem está imune diante do vírus. Entretanto não há certeza se essa imunidade é permanente. (Géssica Brandino)

AFP
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