Caos e mobilidade urbana, a representação da cultura asfáltica

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Os problemas dos alagamentos nas cidades e as consequências, estampadas em canais de televisão, redes sociais, filmetes … chocam à opinião pública nacional.

Existem os catastrofistas, fundamentalistas messiânicos, que atribuem tudo isso ao final dos tempos e como sinais da volta de Jesus.

Nada mais errado.

Embora jornalista, foi como aluno do curso de sociologia, nos distantes anos de 84/85 … que tomei consciência dos graves problemas dos aglomerados urbanos, ocupações de áreas de riscos e, principalmente, da cultura asfáltica.

O asfalto represa as águas, bloqueia os lençóis freáticos e gera o aquecimento urbano, A pós-modernidade, em muitos países avançados, é o retorno ao calçamento. Não se falando que os asfaltos, em ruas largas como Santiago, viraram pistas de corridas. Na cidade, ninguém respeita faixas de segurança, não se falando que são mal pintadas, sem sinalizações prévias e sem educação para o trânsito. E ainda existe um problema subjacente: faixa de segurança embaixo de sinaleiras, só gera confusão.

Não precisa ser um bom arquiteto e urbanista para saber que os asfaltos represam águas. O escoamento é concebido para calçamento e qualquer volume de chuva a mais, todos ardem prejuízos.

A ocupação de áreas de riscos é o atestado da pouca atuação do CREA e omissão das autoridades.

Claro, abordo dois assuntos embutidos num só texto. Minha cidade, Santiago do Boqueirão, RS, já começou com a cultura dos asfaltos. E     olha que têm áreas de riscos ocupadas aos montes. Como só foram pelo populismo de asfaltar por asfaltar, sem cultura para o trânsito, sem educação, sem avisos prévios, sem faixas de segurança sem as devidas pinturas, o caos é instalado nas mortes que se sucedem por atropelamentos. O asfalto é um convite para o velocidade … a partir daí, ninguém quer parar numa faixa de segurança.

O Ministério Público, que tem o dever constitucional de defender os interesses difusos da sociedade, deveria tomar a dianteira desse preocupante quadro. Do contrário, é só marcar o próximo velório de um munícipe.

Santiago é uma cidade 50 mil habitantes. Ainda é tempo de corrigir. Ainda é tempo de redefinir. Ainda é tempo de instituir um debate sobre mobilidade urbana. A URI não interage com a sociedade.  O executivo municipal é gerido por um grupo sem visão política urbanista e até hoje nada fizeram em termos de mobilidade urbana.

As motos em Santiago, andam numa velocidade assustadora. Parece que o mundo já vai acabar para eles. Os ricos cagam para os pedestres e faixas de seguranças, embora existam exceções. Mas a dominação é a arrogância: foda-se esse pobrerio.  

Eu tive acesso a um debate da UNICAMP onde são feitos relatos de milhares de famílias que estão migrando do eixo Rio/São Paulo/BH para pequenas cidades do Paraná, Santa Catarina e também saída do Brasil, pois aí também pesa a insegurança urbana.

Os problemas criados em megalópoles como São Paulo não terão solução. O caos é irreversível.

Tudo isso não tem nada a ver com messianismos toscos, uso indevido de Deus … isso é a ação do homem pura e tão somente. Dos asfaltos até a ocupação de áreas irregulares, a insegurança urbana, tudo isso é apenas e tão somente ação humana.

De São Paulo a Santiago é preciso pensar tecnicamente o porquê disso tudo, as razões e buscar as soluções.

Do contrário, a cada chuva, todos viverão o caos, com prejuízos e danos irreparáveis, no caso de morte de entes queridos. Aqui em Santiago, embora não estejamos mergulhados no excesso de água, passamos de luto pelas mortes num trânsito de motoristas que não têm noção do que é perímetro urbano e transformaram as nossas ruas em pistas de corrida.

Asfalto é tóxico.

Precisamos repensar Santiago como um todo, especialmente pela mobilidade urbana .

P´.S.: A estiagem prevista para 2021 devia acender o alerta acerca do esgotamento da capacidade de nossa barragem. Depois não digam que não avisei, pois nem o muro de contenção, proposto pelo Tenente Bianchini foi construído.

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