NETFLIX, PORTA DOS FUNDOS, OS VERSOS SATÂNICOS E A GUERRA FUNDAMENTALISTA

Sharing is caring!

Como evangélico e democrata sempre achei extremada a sentença dos aiatolás contra o escritor dos versos satânicos, Salman Rushdie, decretando sua morte por causa do livro. Radicalismo e fundamentalismo islâmico sem precedentes. Não admite críticas, só elogios.

Pior que isso, só a baboseira ridícula dos evangélicos, manipulados pela Record, atacando a Netflix e o filme porta dos fundos.

Ora, nós e ninguém é dono de Jesus, de Maria, dos personagens da Bíblia, nem do velho e nem do novo testamento.

Será que uma sátira vai mudar a fé dos cristãos?

Meu Deus. Deixem a liberdade fluir, que cada um interprete Jesus como quiser. Isso vai mudar a história?

Claro que não. Só precisamos aprender a sermos mais tolerantes. Deixem as pessoas ligadas a arte, cinema, teatro, pintores, expressarem livremente suas emoções. Se eles querem um Cristo parecido com eles, é só deixar.

Discordar, é um direito. Mas fazer uma campanha maciça como a liderada pelo bispo Macedo é perder toda a criticidade.

Quem não se lembra do escarcéu de Je Vous Salue Marie?

O tempo mostrou que era apenas um filme e hoje ninguém saber sequer quem é Jean-Luc Godard.

Nem Salman mudou o Islã, nem esse grupo PORTA DOS FUNDOS mudará a fé dos cristãos. Só alguém muito inseguro na fé, pode imaginar um trabalho esteriotipado, fortemente assentado em alegorias, pode abalar a fé cristã.

Não vai acontecer nada. Volta e meio surgirão críticas, algumas mais abertas, outra veladas, mas a crítica faz parte e nós, democratas, cristãos, particularmente os evangélicos, precisamos aprender a conviver com a crítica, com a diferença e não se deter em picuinhas, pois acabaram dando a esse trabalho um alcance monumental. Fizeram a melhor mídia, a melhor propaganda.

Honestamente, cá entre nós. alguém acha que inventarem versões dos personagens bíblicos mudará a fé de alguém? Ou é uma fé de merda que não resiste a uma sátira, ou é uma fé firme, que sabe entender as diferenças, só isso.

Dan Brow, interpretando o segredo de Leonardo Da Vinci, na última ceia, especulou que o santo graal, na verdade, é a própria Maria. Agora eu pergunto: valeu a pena todo o escarcéu cristão com Brow ou apenas o projetaram para além dele próprio?

Pouco tempo atrás, os evangélicos fizeram outro escarcéu com o tal jesus gay. Do que adiantou tudo aquilo. O pobre do rapaz até morreu precocemente. E não foi vingança de Deus. Morreu por que todos nós morremos um dia, de uma forma ou de outra, mais jovens, mais velhos, mas o certo é ainda não descobriram a fórmula da imortalidade.

Dessa pendenga toda, eu proponho aos evangélicos que não se deixem levar pelo cinismo do fundamentalismo religioso. Oremos por essas pessoas do Porta do Fundo, amanhã eles podem ser atores e cantores gospeis. O ensinamento de Cristo é o perdão. Não a ira, a vingança, a semeadura de ódios. Dou 5 anos e eles (Porta do Fundo) estão cantando músicas gospeis e fazendo esquetes bíblicas.

Deixem fluir.

Não ao fundamentalismo religioso. Tolerância e amor, antes de tudo.

Comentar no Facebook

Deixe uma resposta