Panem et circenses, comércio de ilusões e perpetuação da miséria

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Quem olha o pão e o circo santiaguense, que agora saiu do executivo e se estendeu à Feira, trazendo Leonardo e Luan Santana, deve imaginar que vivemos num paraíso.

Depois da euforia, os cantores e seus empresários vão embora, com o dinheiro do pessoal, que está deixando até de comer ou vendendo objetos de uso doméstico, roupas … para comprar os ingressos.

A cidade continuará com alto índice de desemprego, a saúde continuará no caos, sem medicamentos e sem médicos (exceção ao Hospital), as vilas continuarão sem infra-estrutura, cada chuva que vier as casas serão alagadas, os pobres continuarão cada vez mais pobres, marcados pela miséria e pela desesperança. Só as igrejas evangélicas continuarão cada vez mais florescentes.

Por mais boa vontade que eu tenha, juro que não entendo a lógica dessas feiras. Devo ser muito burro, pois jamais entendi a razão desses shows e os milhares de reais investidos nesses cantores.

Segunda-feira as filas do SINE estarão enormes. As vagas de empregos ofertadas nem de longe correspondem à demanda. Não sem razão as vilas pobres de Santiago são depositárias de mão-de-obra barata e desqualificada. Depois do show e quando cessar o efeito da cerveja, a realidade nua e crua diante dos nossos olhos.

E assim vamos indo, vivendo de ilusões, achando que tais shows trazem felicidade.

Não trazem.

Geram epenas uma euforia do momento. É como ingerir um scstasy. As classes sociais médias, medianas, remediadas e a classe alta continuarão suas vidas. com seus carrões e camionetões, com suas casas suntuosas e apartamentos bem decorados. Os pobres seguirão na miséria, correndo atrás de remédios, passando todo o tipo de privação. Morando em casebres, sem futuro, sem perspectivas e esperando uma nova festa, um novo show, um novo baile, curtindo o Silvio Santos e o Faustão. Há: se deliciando com o Datena e as tragédias … sangue, sempre sangue é o que mais vende.

Esse processo de alienação social coletivo é muito sério. Os organizadores destes eventos sabem perfeitamente que apenas vendem ilusões para as pessoas. Se houvesse empenho de 10% do empenho que fazem estas feiras, para gerar um processo educacional sadio, para equacionar o drama da habitação, da falta de moradias, da miséria e da desesperanças dos pobres, o mundo já seria diferente e o sol seria mais radiante.

Ganhar em cima da miséria e comercializar ilusões para uma sociedade inteira, é algo muito triste, muito triste mesmo.

Não tenho nada contra ninguém, sequer sei quem organiza estas feiras. Não participo disso, quero distância. Apenas faço uma reflexão para dividir minhas angústias no divã coletivo da telemática, onde me expresso porque sei que alguém interage comigo.

Poderia ser cálido?

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