NA LENDA DE PRÓCRIS, A ORIGEM DO CIÚMES E O PODER DO BOATO

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Reza a mitologia grega que os “deuses” Céfalo e Prócris viviam um amor intenso, eram casados, tinham uma filhinha e havia fidelidade recíproca; durante muitos séculos curtiram a intensidade desse amor.

De repente, um dia, Aurora, que era amiga de Prócris, começa a ver as belezas de Céfalo, seu corpo, seu modo de falar, o amor dele com a filhinha e descobre-se apaixonada por ele; sem nunca revelar nada, começou a assediar o deus, que nunca correspondeu aos assédios de Aurora.

Inconformada de ver aquele casal lindo e sua filhinha, Aurora decide amaldiçoar o destino da família. Elaborou um plano.

Passou a seguir Céfalo em suas andanças pela floresta. Certo dia, ouviu ele pronunciar “VENHA BRISA SUAVE, LEVE O CALOR QUE ME QUEIMA”.

Aurora ouviu tudo e levou a história para Prócris. Contou que Céfalo tinha uma amante, jovem e linda, tinha os olhos verdes e chamava-se Brisa. Ademais, deu detalhes de como eles se encontravam nas florestas.

O relato teve um efeito devastador na vida da Prócris, que passou seriamente a desconfiar do marido. A desconfiança tornou-se obsessiva e passou a seguir os passos do marido pela floresta.

Dias e dias sucedem-se.

Sem nada desconfiar, o deus Céfalo seguia suas caçadas. Até que numa tarde ensolarada, cansado, abriu os braços, fitou os céus, fechou os olhos pruridos e exclamou “ venha minha BRISA”.

Entre os arbustos e sem ver o marido, Prócris, possuída de ciúmes, ensaia uma corrida em direção ao marido e sua suposta amante.

O deus caçador, ouvindo os ruídos de galhos quebrando-se, reage, pensando ser um animal da floresta que vinha em sua direção.

A reação virulenta do deus é o arremesso de sua lança contra quem ele imaginou ser um animal. E o que acontece? Acaba acertando sua própria amada esposa, que morre por suas mãos.

A lenda enseja uma reflexão, especialmente sobre as Auroras, “amigas” das famílias, que freqüentam nossas casas. O boato e as mentiras, movidos pelos ciúmes, têm o condão de destruir os lares, reputações, justificam obtusidades e escondem limitações.

A propósito, conclui a lenda, que, em agonia, antes de espirar fatalmente, a deusa Prócris pede ao seu amado esposo Céfalo que não se case e nem leve Brisa morar com a filhinha do casal.

Só aí, então Céfalo entendeu tudo e desesperado exclamou que apenas conversava com o vento e que adorava curtir a brisa da floresta.

Foi a vitória da intriga e do efeito do boato. Aurora, pois, viu sua maldição realizada.

Reflitamos.

As Auroras estão em todos os lugares, inclusive dentro de nossas casas.

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