Res-pública Federativa Liberal dos Estados Unidos do Brazil

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O grande debate, pós-janeiro de 2019, é contextualizar nossas forças políticas, nossos points ideológicos locais, face a emergências do novo governo.

Pessoalmente, falando francamente, vejo como remotas as chances de vitória de Haddad, embora reconheça que ele seria o melhor para o continuísmo da URI, da prefeitura, do Hospital e do próprio exército.

A eventual vitória de Bolsonaro vai implicar numa drástica redefinição com implicações diretas em Santiago e região. Explico-me: a visão de Paulo Guedes para a economia tem a ver com os cortes drásticos que afetarão o crédito educativo. Essa mamata e essa visão paternalista do PT, vai para o saco. O IFF vai ser atingido em cheio pelos cortes e a URI terá que se arrastar com a aposta no realmente privado. Paulo Guedes tem deixado claro que o ensino superior, privado e particular, precisar ser auto-suficiente e que a prioridade do seu governo é o investimento no ensino infantil e séries iniciais do fundamental. È claro que ele está dizendo que o crédito educativo superior e essa visão petista de praticamente sustentar quem cursa universidade vai acabar. O corte vai pegar em cheio a educação superior e a URI será a primeira vítima.

Os programas assistenciais na área de habitação, atingirão em cheio os interesses da gestão pública municipal. Essa mamata petista de dar casa para os pobres, muito empregada pelo PP, será fuzilada pela redefinição de Paulo Guedes, que – se deixaram – privatiza a própria CEF e o BB/SA.

Sinceramente, não sei como será a saúde pública e os reflexos no plano local. Mas a pauta liberal é uma redefinição radical. Previdência social, só para quem contribui, será como era nos anos 70/80 anteriores da constituição de 1988. Quem contribui com o recolhimento do INSS, usufrui. Quem não contribui, que se vire. Acredito que essa política de médicos de ESFs e dentistas por conta do Estado, com o tempo vai acabar, assim como as aposentadorias precoces. A coabitação dos regimes especiais de previdências serão postos em xeque e vem aí a tentativa de isonomia (leia-se limitação do setor público com o privado), embora eu duvide que o governo consiga passar por cima das corporações organizadas do setor público. Mas que haverá choque, haverá.

Essa de chegar aos 65 anos e ter um benefício de um salário mínimo, será reduzida a 500 reais, é só ler a entrevista do liberal Kim Kataguiri ou assistir seus vídeos no Youtube. O Paulo Guedes pensa exatamente como Kim.

Aliás, a redefinição previdenciária e esses benefícios todos que o PT/PSDB criaram serão aniquilados no primeiro tiro. Farmácia popular, remédio para pressão alta, que se exploda quem precisa. A pauta é a privatização radical de amplos setores da saúde, da previdência e da assistência social. Esse assistencialismo é coisa da comunista. Xô Satanás.

Os pastores evangélicos acostumados a mamar no Estado vão ficar chocados com a mão de Paulo Guedes, que será aclamado pela mídia, louvado no exterior e forte candidato ao Nobel de economia. Todos ficarão que nem moscas tontas, sem entender o ufanismo e o elogio midiático e a contradição do desgaste pessoal e seus interesses imediatos. A imunidade tributária sobre templos, será só sobre templos e essa elasticidade que atinge até os imóveis alugados pelas igrejas, vai acabar, a grita e a chia serão enormes.

È claro, o estatuto do desarmamento será revisto. As pessoas de bem (alguém sabe o que é isso?) poderão portar armas. O pessoal do campo, essas pessoas que produzem mesmo, ostentarão um fuzil e haja até quem defenda que as fazendas tenham um tanque de guerra. Vem aí as milícias privadas e a coabitação com o setor público de segurança. Aliás, a segurança privada é um segmento que entrará em alta … é a gênese miliciana.

A segurança pública será transferida do Estado para o cidadão.

Mas o campo terá muita satisfação, o setor primário, esse pessoal que realmente tem peso, continuará produzindo em paz e ganhando. Quem será afetado são esses pequenos que vivem com programas comunistas para financiamento de tratores e empréstimos via Banco do Brasil para comprarem gado e investirem em lavouras. O pessoal do Bolsonaro não é bobo, sabem bem que estes empréstimos são quase todos frios e que o dinheiro dos financiamentos é usado para outros fins.

Por enquanto estão todos escondendo o jogo, mas milhões de votos não vão deixar um presidente refém de cláusulas pétreas. Só Bonner e a rede globo para fingirem normalidade. Constituição existe para ser rasgada e o autogolpe do general Mourão é uma realidade.

Falando em Mourão, ele vai ficar com um esparadrapo na boca até a posse, depois voltará para afirmar o que o Mercado quer ouvir, décimo terceiro é uma aberração e um ônus para quem produz, adicional de férias, da mesma forma. E o novo Brasil liberal trocará a CTPS azul dos comunas pela CT verde e amarela e o trabalhador poderá negociar livremente com os patrões, sem essa história de carga social.

E as forças armadas?

Ficarão como a nobreza da Inglaterra. È claro que as pensões de filhas de militares serão alteradas e aposentadoria dos militares será totalmente modificada, para dar exemplo aos civis. Nos EEUU ninguém se aposenta pelo teto. Ora, aqui também precisa ser como no Tio Sam.

È evidente que as FFAA e o duodécimo do judiciário serão as zonas mais sensíveis para Paulo Guedes, mas ele próprio deu o recado na entrevista a globo-news ao abordar a necessidade de igualar os regimes previdenciários. Isso parece um sonho, mas que ele pretende chegar nisso, pretende.

Com estas reformas profundas, claramente anunciadas, o Brasil realmente buscará uma redefinição. O país será mais enxuto, estatais serão privatizadas em massa. Agora, viveremos o liberalismo econômico, Estado quanto menor, melhor. Menos corrupção, investimentos privados, quanto mais, melhor.

As mudanças atingirão em cheio o ensino superior, UNIPAMPA e IFETs, em xeque. Programas habitacionais, Minha Casa, Minha Vida, programas assistenciais, em xeque. Saúde privada quanto mais melhor, menos mais médicos, os remédios precisam ser consumidos pelo bolso do contribuinte e não pela mão do Estado.

A indústria metal-mecânica se tornará mais competitiva, a indústria de armas, entra em alta e o povo pobre vai se jogar na iniciativa privada, multiplicar-se-ão os vendedores de pastéis, as moças vendendo docinhos, os treilers de xis e batata frita, o consumo de cervejas aumentará, o mercado de carnes será competitivo e o homem do campo – finalmente – entenderá o que é o fim do comunismo e esse apadrinhamento do Estado, financiando até sementes e tratores. Aliás, aposentadoria rural com base em declarações de Sindicatos e com depoimento de vizinhos ´lá de fora`, está com os dias contados.

Vem aí a apologia ao EAD, e os professores logo serão uma categoria em extinção. Faz sentido, liberalismo econômico não fecha com esse monte de escolas sustentadas pelo Estado.

Anistia aos créditos educativos, como Beto Albuquerque conseguiu com os governos comunistas do PT, adeus. Tem conta com a CEF, tem que pagar, nem que seja o passivo contabilizado pelos novos donos, pois a CEF será privatizada. Dívidas prescritas em 5 anos, serão elevadas para 15 anos. No novo Brasil liberal, sem essa de calote em 5 anos.

Eis que surgirá um novo Brasil, o hino nacional e os símbolos nacionais não serão mudados. A farda não mudará a cor. Haverá liberdade para a internet e nada de controle social da mídia.

O mercado viverá de euforias. O dólar cairá e as bolsas continuarão subindo. Todos vibrarão. A Petrobrás privatizada, atuará em toda a cadeia produtiva, da extração, passando pelo refino até a distribuição para os postos.

Em suma, com Bolsonaro, muita coisa vai mudar. Com Haddad, a tendência é continuar com o Estado de bem estar social e esse assistencialismo comuno/petista/socialista.

Eu tenho uma séria desconfiança que Júlio Ruivo não embarcou na onda bolsonarista. Ele saca das coisas e percebeu a jogada. Ele sabe que a volta do PT poderá ser o fortalecimento do PP santiaguense e a manutenção das políticas públicas petistas. Ele sabe que a onda bolsonarista, poderá significar o fim do assistencialismo. Bolsonaro não é contra o bolsa-família, só vai reduzir tudo pela metade, num primeiro momento. E dará aumento para os que sobrarem. Mas que aumento? Ele não fala na proporção do corte e a relação deste com eventuais reajustes.

Os nordestinos pensam que nem os pepistas de Santiago. Só louco para entender esse anacronismo. Heinze é uma exceção, não é liberal, mas sequer entende bem onde Paulo Guedes quer chegar.

O PP do Capão do Cipó está sintonizado com o nordeste, melhor que qualquer um aqui na região.

Eu desconfio seriamente que Ruivo votou no Haddad. Mas como o voto é segredo, ficará a dúvida para sempre. Heinze, casado com Bolsonaro, fez mais de 18 mil votos. O que explica as pessoas de um mesmo município votarem no Heinze para o senado e não votarem no Ruivo, que fez parcos 12.376 votos dentro da Santiago, que presidiu e é presidida pelos pepistas?

Ruivo, em entrevista na Rádio Santiago, disse que a campanha presidencial de Bolsonaro o prejudicou internamente. È um caso raro. No restante do país, os candidatos todos – encostados em Bolsonaro, foram consagrados pelas urnas. Ora, para mim, ele não estava encostado. É simples.

De qualquer forma, mudanças sérias e profundas vem aí. Só não muda muito se Haddad vencer e eu penso que Haddad não ganha. Então vamos para República Federativa Liberal do Brasil.

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