Pai

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Poucas vezes voltamos nossas reflexões ao sentido da divindade em nossas vidas. O próprio debate acerca do conceito é impreciso, envolve campos e saberes distintos, envolve de Deus à própria natureza humana em sua acepção biológico-carnal.

Entretanto, desde muito jovem, mesmo ao sabor do empirismo puro, sempre entendi que esse dom que Deus nos deu de gerar outro ser é o que existe de mais divino em nossas realidades concretas. É claro que somos escravos dos desejos, a atração carnal é fator complicado em nossas vidas, mas somos forçados, gostemos ou não, a refletir sobre isso, pois é justamente daí, que Deus deu-nos essa dimensão mágica de gerar uma vida e isso é precioso demais.

Sempre imaginei que ser pai era equivalente ao exercício da divindade por delegação do Criador. Assim, encarei o ato de paternidade como o ato mais sério na vida de um homem.

Minha filha é produto de Deus, é filha da divindade de uma delegação que o Criador atribuiu-a mim. Todos os filhos são produtos de um dom divino, o difícil é entendermos isso e encararmos a seriedade que esse assunto encara, pois ser pai é muito além da consumação de um ato sexual ou de pagar uma pensão mensal. Ser pai, é estar ao lado, é orientar os passos, é ser o anjo do próprio filho, é acariciar-lhe o rostinho, é dar-lhe comida, é ensinar os hábitos da cultura onde vivemos, é repassar valores éticos e morais, é abrigar do frio, é orientar ao atravessar uma rua, é consolar na dor, é preparar para a vida, em suma.

O que aconteceu comigo, acontece diariamente com os casais que simplesmente decidem se separar e esquecem-se que foram eles quem usaram a delegação da divindade para gerar aquela vida e que agora, ficará sem rumo, ou, como os rumos divididos.

Os filhos, as crianças são os que mais sofrem com as decisões dos adultos. Eles não escolhem, a eles é gerada uma nova situação e pronto, eles não têm escolha. São arrancados do lar, do convívio com os pais, a eles são impostas novas pessoas, pessoas que lhes são estranhas, hábitos e costumes diferentes e aí começa todo o ciclo da degeneração, cujas consequências vão aparecer ao longo da vida, o desequilíbrio da família.

Assim, paternidade e maternidade é um ato altamente sagrado e deveria ser encarado como o maior presente de DEUS para nossas vidas. Mas o que temos feito: botamos nossos desejos na frente, nossos prazeres em primeiro lugar e esquecemo-nos do presente divino, que deveria ser objeto de nossas renúncias e fruto sagrado de nossas dedicações.

Eu não desejaria nunca me separar de minha filhinha, queria poder cuidar dela dia e noite, todos os dias, até ela crescer e estar preparada para a vida e o mundo. Entretanto, a decisão da mãe dela precisa ser respeitada e sei também que ela não pode ser privada do carinho, do amor e do afeto materno.

Tenho recebido centenas de ligações, e-mails e posicionamentos de pessoas que enfrentam problemas similares.

O mínimo que eu, como pai, posso fazer, e para ser fiel ao reconhecimento do exercício do divino que Deus permitiu-me exercer, gerando essa vidinha, que é a Nina, é lutar e apelar para a Eliziane que ela aceite, amigavelmente, uma guarda compartilhada de nossa filhinha. Imaginem a proposta que me fizeram: eu ver minha filha a cada 15 dias, nos finais de semana. Isso é sensato? Isso é justo para com Deus, que deu-nos à criação, e, para comigo que fui um pai dedicado e encarei com seriedade o ato paterno?

Ser pai é a própria manifestação da divindade. Tenho absoluta certeza que o que faremos com nossa filha, desagrada aos olhos de quem delegou-nos o dom divino de gerar uma vida. Mas lutarei perante Deus, com minhas orações e perante à sociedade, para poder ser pai e criar minha filha, nem que seja alguns dias na semana, já que o ciclo foi quebrado.

Essa é minha manifestação e será a minha resistência.

Aos que ainda acreditam na família, no amor, na maternidade e na paternidade consciente, que reflitam comigo, entendam a extensão da minha dor e a razão de minhas posições em defesa da guarda compartilhada, como mal menor diante do pecado maior do assassinato da divindade de nós mesmos. E que Deus nos perdoe desde já.

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