Por que saí do PP de Santiago, por Miguel Bianchini

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Em abril de 2004, fui substituído na função de comandante dos Bombeiros de Santiago, após esse ato, fui intensamente assediado a concorrer ao cargo de vereador do município. Sem ter vínculo partidário algum, procurei aconselhamento com o amigo de longa data e prefeito da época, o saudoso Chicão. Ele achou genial a ideia mas sentenciou:

– Não inventa de concorrer por outro partido senão o PP.

Como via no Chicão um prefeito visionário, com foco desenvolvimentista e social, prioridades claras de fomento à indústria e à produção rural, de apoio e incentivo aos empreendedores da cidade e do campo, preocupação com a geração de oportunidades, emprego e renda, com o futuro das crianças e adolescentes, com a qualidade de vida dos idosos, com a infraestrutura necessária aos bairros, especialmente os mais pobres, com os funcionários públicos e o povo de modo geral, não tive dúvidas, na condição de militar me filiei ao PP às vésperas da eleição e concorri a vereador no ano de 2004.

Me elegi com 1.139 votos e durante os 4 anos de mandato fui o grande defensor e escudeiro das políticas públicas implementadas pelo prefeito Chicão na Câmara Municipal. Quem não lembra?

Me reelegi em 2008 pelo PP com 2.198 votos.

Em 2009 veio a sucessão municipal, Júlio Ruivo assumiu como prefeito e de cara começou a mudar o foco das políticas públicas: das desenvolvimentistas e sociais do Chicão para a urbanística que foi prioridade nos 8 anos do novo governo.

Meu primeiro confronto, foi quando no início do governo quiseram nos obrigar a defender projeto de lei mudando as zonas fiscais de Santiago, aumentando violentamente o valor do IPTU de todos os imóveis. Devido a minha forte oposição, a proposta não saiu do gabinete. Começava ali minha primeira incompatibilização com a nova administração.

Obras e ações do governo foram direcionadas para o centro e avenidas da cidade, visando o embelezamento crescente destes locais. Enquanto isso, políticas bem-sucedidas do governo anterior foram se esvaziando: os mutirões rurais e nos bairros, distrito industrial esquecido, berçário industrial (hoje fechado), patrulha agrícola desmantelada, projeto Criança Feliz perdendo força, adolescentes desamparados de políticas sociais, carência de apoio a empreendedores da cidade e do campo. O projeto modelo da administração Chicão, a UTCAR (unidade de triagem e compostagem de rejeitos sólidos) que recebeu um grande volume de dinheiro público, foi enterrado, e o lixo urbano entregue a exploração privada, aumentando em 300% a taxa recolhimento do lixo comercial e dobrando a taxa do urbano. A prefeitura municipal passou a ter um inchamento progressivo, perdendo, pouco a pouco, sua capacidade de investimentos.

Na Câmara de Vereadores, de defensor da administração passei a silenciar, e, com o passar do tempo, a contestar as ações equivocadas do Executivo. Um ano e meio depois do novo governo, tomei a decisão de sair do Partido Progressista, pois não concordava com a forma que Santiago estava sendo administrada.

Hoje temos uma cidade com praças e avenidas embelezadas, porém, uma prefeitura inchada e um município estagnado economicamente, sem emprego e expectativa para nossos filhos.

Mudou o prefeito, mas segue a mesma política atrasada, que desanima o futuro das crianças e adolescentes.

Temos que recuperar os sonhos da nossa gente, buscar uma cidade empreendedora, progressista de fato, capaz, eficiente, de pleno emprego e que proporcione dignidade aos filhos seus.

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