O batismo de Bolsonaro e o avanço do fundamentalismo religioso no país – publicado dia 13 de maio de 2016

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Fato amplamente divulgado no país e no exterior, o batismo evangélico do Deputado Bolsonaro, PSC, nas águas do Rio Jordão, enseja uma preocupação que nossos analistas políticos nacionais sequer tocam.

Primeiro, é claro e evidente que Bolsonaro prega o ódio, o incitamento entre classes sociais, não pactua de ideias do campo do bem-estar social, que é o que mais se aproxima do cristianismo, faz uma política odiosa, discriminatória e seus atos e gestos são sempre em defesa da truculência e do barbarismo. Defende o terror abertamente e não tem nenhum pudor ao defender a tortura.

Isso é apenas um lado da questão, perceptível a olhos nus até mesmo ao raciocínio mais imbecil. Afinal, como um homem que pactua e defende os ideais que defende, pode aceitar a doutrina cristã-evangélica, que prega a paz, o amor, a conciliação, a fraternidade, a solidariedade, o afeto e o perdão?

Por outro lado, essa é a questão mais imperceptível em nossas leituras, é que o ato de Bolsonaro insere-se num contexto de avanço claro de um fundamentalismo religioso ultra-direitista que avança no país a passos largos. A junção do ingrediente político-partidário com religião é explosiva.

Mesmo sem ser candidato e antes mesmo de qualquer debate presidencial, Bolsonaro já aparece com 8% nas pesquisas de intenções de votos em nível nacional. Catalizando evangélicos, direitistas militares e católicos mais ortodoxos e moralistas, estaremos com nossa família LE PEN numa versão tupiniquim. Avanços no campo dos direitos sociais e humanos tendem a retroceder. Avanço no campo dos direitos civis, da mesma forma. As políticas afirmativas de discriminação contra pardos, negros e índios serão objeto de revisão. Não sem razão, o Pastor da Igreja de Bolsonaro, Marcos Feliciano, tem pregado abertamente que a África é um continente amaldiçoado, negando toda a espoliação que os países ricos e industrializados fizeram no continente pobre e humilde … e nisso – somos próceres – pois sequer nos preocupamos com transferência de empresas sujas, fomos protagonistas diretos do tráfico de seres humanos como mão-de-obra barata e desqualificada para nossas lavouras.

Por outro lado, haverá o aumento do preconceito contra as religiões afros e consideravelmente contra o Islamismo. O que não for evangélico, será coisa do diabo ou satânica. Essa é a essência do fundamentalismo.

Avanços no campo do direitos civis,  serão barbaramente afrontados, questionado e – certamente – objetos de grande retrocesso. É claro que mudanças legislativas serão propostas e ousadas dentro da perspectiva de direita.

Bolsa família, minha casa, universidades para pobres, políticas de escolas técnicas, podem anotar, entram em retrocesso e vem a ordem do dia a valorização do ensino privado e comunitário.

A força evangélica também mudará a moda. E quem acha que a questão dos biquines e sungas nas praias é bobagem, certamente não ouviu o Pastor Silas Malafaia e o ato extremo de Jânio Quadros, paradigma dessa discussão não é tão recente em termos históricos.

A mulher será glamourizada como ética e estética da esposa que fica em casa, amamentando, fazendo comida para o esposo, cuidando da faxina de casa, bela e recatada. Nelson Rodrigues será iconizado por suas máximas: as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental. E essa outra é cruel: não é toda a mulher que gosta de apanhar, só as normais.

Com esse pensamento, haverá um endurecimento nas leis penais, sem a menor sombra de dúvidas. Mais presídios, colônias de presos e até nas cláusulas pétreas constitucionais serão revistas. Menor infrator, na cadeia. É claro, a redução da maioridade penal caiará em questão de meses. Até porque tudo é fomentado pela grande mídia, sabidamente anti-social e privatista. A PETROBRAX não é mais um sonho.

As ciências e as pesquisas mais avançadas, genoma, por exemplo, sofrerão um atraso como nunca visto.

Entrará em moda os velhotes com as guriazinhas, Veja já cantou a pedra.Bela, recatada e do lar, será a máxima do novo Brazil. Com z.

Volta o estudo de moral e civismo e o ensino religioso será obrigatório, dentro da visão cristã, com tendência luterana. País laico, será coisa do passado.

A CLT vai ser derrogada para atender os interesses do empresariado e a todos os recursos que serviam de base cristã do Estado de bem-estar-social que iniciávamos – com certeza – será carreado para infraestrutura e escoamento da produção.

Bolsonaro, Feliciano, Malafaia e outros perceberam que havia espaço para o avanço de um pensamento de direita ultra conservador no país. Apenas colocaram-se na condição de agentes políticos catalizadores desse pensamento, captando os sentimentos dispersos e dando forma e roupagem a um pensamento que já existia, sempre existiu, mas que ninguém dele tinha se apoderado.

O Brasil está entrando na era do fundamentalismo político e religioso e o batismo de Bolsonaro representou esse símbolo.

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